"Hélio Daniel Cordeiro é um aventureiro do espírito. Empresta, hoje, ao pálido e modesto judaísmo brasileiro, a paixão da descoberta. Invoca nossas origens, com olho no futuro. Por isto é comprometido com uma visão contraditória do profetismo e da lírica.
           Cordeiro desempenha a função carismática em sua obra. Garimpo e interpretação. Sai do gueto e mergulha no Cosmo, onde busca o Deus da mística e da inteligência, sem discriminação."
Jacob Pinheiro Goldberg,
- Psicanalista
Trajetória cultural
HÉLIO DANIEL CORDEIRO

            Nasci em Americana, interior paulista, em 1963. Vivi os primeiros anos de minha infância num mundo dividido pela Guerra Fria entre americanos e soviéticos, capitalistas e comunistas, no clima de paz e amor daqueles loucos e criativos anos 60.
          Cresci ao som dos Beatles, de Bob Dylan, do festival Woodstock. O clima era a da contra-cultura iniciada pelos poetas beatniks e intensificada pelo psicodélico Timothy Leary. A grife filosófica da hora atendia por Herbert Marcuse e Jean-Paul Sartre. Para a sétima arte valia a nouvelle vague e o engajamento do Cinema Novo de Glauber Rocha, mas também a sensualidade arrebatadora de Marilyn Monroe e Bigitte Bardot. No teatro, a polêmica Hair – depois levada às telas por Milos Forman, refletia a transformação turbulenta por qual o mundo atravessava.
            Um tempo também violento, cortado pelos tiros contra John Kennedy, a Guerra no Vietnã, a invasão de Praga, as rajadas dos militares contra Lamarca e Iara Iavelberg, as manifestações de Cohn-Bendit em Paris, a chegada de Armstrong, Audrin e Collins à Lua, eterna inspiração de poetas e amantes apaixonados.
            Herdeiro da rica, complexa e fascinante tradição criptojudaica (judaizante) em minha família íbero-italiana (sefardita), cresci ouvindo as histórias bíblicas de Adão e Eva no Jardim do Éden, os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó, o legislador Moisés, a profetisa Débora, os reis Saul, David e Salomão, os profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel.
           Assim, sempre senti uma forte identificação e comprometimento com os destinos do povo judeu e de Israel.
            As narrativas da Bíblia foram minha primeira escola literária até chegar ao Hamlet e outros textos de Shakespeare, Jules Verne, Machado de Assis, Érico Veríssimo, Clarice Lispector e Moacyr Scliar.
            Destaco na literatura mundial recente os nomes de Saul Bellow, Philip Roth, Elias Canetti, Jorge Luis Borges e Amos Oz.
            Estudioso e pesquisador da cultura judaica, reconheço no campo das idéias a influência do filósofo Baruch Spinoza e a do pai da psicanálise Sigmund Freud, em minha formação. Em 1990 criei a Sociedade Hebraica para Estudo dos Marranos (SHEMÁ), visando à pesquisa e divulgação da participação dos judaizantes portugueses na formação e desenvolvimento do Brasil, abrindo novas perpectivas aos trabalhos dos historiadores José Gonçalves Salvador, Elias Lipiner e Anita Novinsky.
            Buscando conhecer de perto a diversidade cultural judaica, em particular, e de vários países e povos, em geral, tenho realizado viagens por dezenas de países.
            Em 1997 criei a revista JUDAICA, visando dar uma proposta mais cultural à mídia judaica brasileira, reunindo em torno dela uma equipe de primeiríssimo nível em várias áreas do saber.
            Um pouco do resultado destes anos de pesquisa, estudos, viagens e muita reflexão criativa pode ser encontrado nos livros que escrevi: Judaísmo e Humanismo (1986), Israelitas na Cultura Brasileira (1994), Os Marranos e a Diáspora Sefardita (1995), Judaísmo, Sefarad - Uma Arqueologia Cultural (1997), O que é Judaísmo (1998) e A Filosofia na Caverna de Platão (2005).

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