

Nasci em Americana,
interior paulista, em 1963. Vivi os primeiros anos de minha infância num
mundo dividido pela Guerra Fria entre americanos e soviéticos, capitalistas
e comunistas, no clima de paz e amor daqueles loucos e criativos anos 60.
Cresci
ao som dos Beatles, de Bob Dylan, do festival Woodstock. O clima era a da
contra-cultura iniciada pelos poetas beatniks e intensificada pelo
psicodélico Timothy Leary. A grife filosófica da hora atendia por Herbert
Marcuse e Jean-Paul Sartre. Para a sétima arte valia a nouvelle vague
e o engajamento do Cinema Novo de Glauber Rocha, mas também a sensualidade
arrebatadora de Marilyn Monroe e Bigitte Bardot. No teatro, a polêmica Hair
depois levada às telas por Milos Forman, refletia a transformação
turbulenta por qual o mundo atravessava.
Um tempo
também violento, cortado pelos tiros contra John Kennedy, a Guerra no Vietnã,
a invasão de Praga, as rajadas dos militares contra Lamarca e Iara Iavelberg,
as manifestações de Cohn-Bendit em Paris, a chegada de Armstrong, Audrin
e Collins à Lua, eterna inspiração de poetas e amantes apaixonados.
Herdeiro da rica, complexa e fascinante tradição criptojudaica (judaizante)
em minha família íbero-italiana (sefardita), cresci ouvindo as histórias
bíblicas de Adão e Eva no Jardim do Éden, os patriarcas Abraão, Isaque e
Jacó, o legislador Moisés, a profetisa Débora, os reis Saul, David e Salomão,
os profetas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel.
Assim, sempre
senti uma forte identificação e comprometimento com os destinos do povo
judeu e de Israel.
As narrativas
da Bíblia foram minha primeira escola literária até chegar ao Hamlet
e outros textos de Shakespeare, Jules Verne, Machado de Assis, Érico Veríssimo,
Clarice Lispector e Moacyr Scliar.
Destaco
na literatura mundial recente os nomes de Saul Bellow, Philip Roth, Elias
Canetti, Jorge Luis Borges e Amos Oz.
Estudioso
e pesquisador da cultura judaica, reconheço no campo das idéias a influência
do filósofo Baruch Spinoza e a do pai da psicanálise Sigmund Freud, em minha
formação. Em 1990 criei a Sociedade Hebraica para Estudo dos Marranos (SHEMÁ),
visando à pesquisa e divulgação da participação
dos judaizantes portugueses na formação e desenvolvimento
do Brasil, abrindo novas perpectivas aos trabalhos dos historiadores José
Gonçalves Salvador, Elias Lipiner e Anita Novinsky.
Buscando
conhecer de perto a diversidade cultural judaica, em particular, e de vários
países e povos, em geral, tenho realizado viagens por dezenas de países.
Em 1997
criei a revista JUDAICA,
visando dar uma proposta mais cultural à mídia judaica brasileira, reunindo
em torno dela uma equipe de primeiríssimo nível em várias áreas do saber.
Um pouco
do resultado destes anos de pesquisa, estudos, viagens e
muita reflexão criativa pode ser encontrado nos livros que escrevi:
Judaísmo
e Humanismo (1986), Israelitas
na Cultura Brasileira (1994), Os
Marranos e a Diáspora Sefardita (1995), Judaísmo,
Sefarad - Uma Arqueologia Cultural (1997), O
que é Judaísmo (1998) e A Filosofia
na Caverna de Platão (2005).