COMPORTAMENTO
Pais
e professores têm dificuldades em
encontrar problemas psicológicos nas crianças
ANDERSON
XAVIER DE OLIVEIRA
Pesquisa
coordenada pela Dra. Alessandra Bolsoni-Silva, professora
de pós-graduação em Psicologia da UNESP
de Bauru, mostra que não existem problemas de comportamentos
nas crianças em pré-escola, segundo relato de
professores e pais.
Participaram
do estudo 48 mães de crianças com idade entre
cinco e sete anos, matriculadas em 13 escolas municipais de
educação infantil (EMEIS), distribuídas
geograficamente por uma cidade do interior do Estado de São
Paulo. Metade da amostra é composta por crianças
com indicação escolar de problemas de comportamento
e a outra metade possui indicação escolar de
comportamentos socialmente adequados.
De
forma geral, poucas diferenças foram encontradas nos
comportamentos indesejados das crianças, conforme relatos
de pais e professores, sugerindo que tanto aquelas com comportamentos
adequados, como as de comportamentos indesejados devem apresentar
bons comportamentos na presença das mães.
Os
pesquisadores acreditam que as crianças dispõem
de comportamentos adequados, mas talvez não tenham
a oportunidade de mostrá-los na escola, onde provavelmente
comportam-se segundo as normas e diretrizes das entidades.
Alguns problemas comportamentais foram encontrados nos grupos,
como impulsividade (agressividade, hiperatividade, etc.).
Percebeu-se
que, agindo desse modo, a criança encontra atenção
do adulto e dos colegas e conseqüentemente são
motivadas a repetirem tal comportamento.
Os
professores, ao encaminharem as crianças com problemas
de comportamento, levaram mais em consideração
os comportamentos indesejados que os desejados, mostrando
que estão com a atenção mais voltada
aos comportamentos negativos das crianças.
Os
meninos foram os mais indicados com problemas de comportamento,
confirmando dados de pesquisas anteriores, por apresentarem
mais comportamentos indesejáveis que as meninas. Já
as meninas aparentam ter comportamentos mais maduros em algumas
habilidades interpessoais, como tomar iniciativas e expressar
opiniões, e apresentam mais problemas internalizates
(medo, timidez, etc.), mais comuns entre crianças mais
velhas.
A
Dra. Alessandra e seus colaboradores destacaram que, para
uma criança que apresenta excesso de comportamentos
indesejados, e também apresenta comportamentos apropriados,
é importante que estes últimos sejam valorizados
e incentivados por adultos e amigos. Esse método pode
ser suficiente para diminuir os problemas comportamentais
em crianças.
As
crianças, ao interagirem com colegas e adultos de forma
socialmente habilidosa e desejável, pode conseguir
atenção e também ser menos rejeitada.
Conseqüentemente, terá mais atenção
e diminuirá o número de comportamentos indesejáveis.
Conhecer
as razões que levam pais e professores a encaminharem
crianças para psicoterapia é um tema de grande
relevância quando se pensa em realizar trabalhos preventivos,
como afirma a psicóloga Denise C. Ribeiro, em sua pesquisa
sobre encaminhamento psicológico.
Ela
destaca que, quanto mais conhecimentos tiverem sobre os reais
motivos para o encaminhamento psicológico infantil,
mais facilmente é possível evidenciar os verdadeiros
fatores que fazem os pais e professores identificarem “crianças
problemáticas” em meio a outras consideradas
ajustadas.
Identificar
corretamente crianças que merecem atenção
psicológica é ainda mais relevante quando se
observa que parte das crianças que buscam ajuda psicológica,
na realidade, não apresentam problemas comportamentais
significativos a ponto de serem consideradas “clínicas”.
É
evidente que pais e professores precisam receber mais orientações
sobre os verdadeiros comportamentos desajustados das crianças.
Esse treinamento tem que ser feito por psicólogos e
profissionais da área da saúde mental em escolas
e centros especializados.
Essa
orientação ajudará também os pais
e professores a fazerem uma análise mais apurada sobre
os comportamentos de crianças e adolescentes, ajudando
a identificar problemas que, em muitos casos, não são
encaminhados para a terapia (como depressão e timidez)
por não se tratarem de comportamentos explícitos
(como agressão e desobediência).
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Fonte: Revista eletrônica Vox Scientiae (NJR-ECA/USP).
- Anderson Xavier de Oliveira é psicólogo.
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