LIVRO
Guia prático de mediação de
conflitos em famílias e organizações

     Imagine a possibilidade de solucionar um conflito por meio de técnicas de mediação. Isso significa substituir o modelo de enfrentamento pela negociação, eliminando sistemas de imposição e o uso abusivo do poder em troca de diálogo, acordos e alianças. Esse procedimento, que resgata a dignidade das pessoas e garante o respeito aos direitos humanos, vem ganhando adeptos no Brasil.
     A psicanalista Malvina Ester Muszkat, uma das primeiras a abordar o tema no País, deu um importante passo para divulgar o método. No Guia Prático de Mediação de Conflitos em Famílias e Organizações (Summus Editorial), ela oferece uma noção teórica dos conceitos envolvidos e analisa passo a passo os procedimentos necessários para uma mediação bem-sucedida.
     A mediação é uma proposta contemporânea para as relações humanas, principalmente num mundo globalizado, onde imperam a violência e a desigualdade, dificultando a resolução dos conflitos. “O sistema judiciário estimula a adversidade, pois a decisão de um juiz não leva em consideração questões emocionais. A arte da mediação é criar condições de diálogo entre duas pessoas que estão se odiando.” - explica Malvina.
     Dentro de uma empresa, por exemplo, o conflito pode reduzir drasticamente a produtividade. “É importante enfatizar que o conflito faz parte da vida. Não é possível fugir deles. As pessoas têm de aprender a se instrumentalizar para lidar com eles”, diz. Na empresa, o mediador poderá trabalhar como um “arquiteto de sistemas”, que atua ora com fins preventivos - para evitar disputas por meio da reorganização das relações interpessoais —, ora para administrar os conflitos já existentes que estejam prejudicando a organização.
     Há 12 anos à frente da equipe do Pró-Mulher Família e Cidadania (organização não-governamental), que atende a população de baixa renda, Malvina tem conseguido resultados positivos no sentido de promover a justiça e diminuir o confronto nas relações familiares. “Treinar a comunicação entre as pessoas é a forma de promover a cultura da pacificação. Conviver pacificamente tornou-se uma utopia desejável num século marcado pela intolerância a quaisquer pequenas diferenças, expressa na escalada da violência individual e social a que temos assistido.” - afirma a autora.
     Para ajudar os profissionais que desejam travar contato com a mediação de conflitos a dar os primeiros passos nessa área, Malvina descreve as etapas para adotar o procedimento: reconhecer diferentes tipos de conflitos; identificar a essência do conflito; manejar situação de conflito e escolher o modelo adequado de mediação. “É preciso esclarecer que, apesar de sempre buscarmos mediar conflitos entre pessoas de forma espontânea, a mediação de conflitos, como saber, está longe de ser uma simples ação paternalista baseada no senso comum e na intuição.”
     Segundo Malvina, para que o mediador saiba lidar com situações de conflito, é necessário que ele tenha uma formação abrangente, com conhecimento de inúmeras áreas do saber, como psicologia, direito, sociologia, filosofia e teoria da comunicação.
     A autora
     Malvina Ester Muszkat é psicanalista, mediadora e responsável, no Brasil, pela adpatação e implementação da mediação de conflitos em organizações institucionais com programas de prevenção à violência. Coordena o Núcleo de Estudos de Mediação Institucional, preside o Conselho do Pró-Mulher, Família e Cidadania (PMFC) e é co-fundadora da “Rede de Homens pela Equidade de Gênero”.
     Seu interesse em compreender e prevenir os conflitos de gênero fez que se envolvesse em programas interdisciplinares voltados para a defesa dos direitos humanos, contribuindo, por meio dos seus conhecimentos psicanalíticos, para o bem-estar social no que se refere ao direito à singularidade e à diversidade humanas.

página inicial