LIVRO
Não somos humanos

     Desde quando o cientista escocês Ian Wilmut conseguiu replicar o primeiro ser vivo – o ovelha Dolly – a partir de uma matriz adulta, abriram-se intensas polêmicas sobre as implicações que envolvem essas descobertas do campo genético. O inegável avanço científico, representado por tais experimentos, entra em choque com valores éticos fundamentais e despertam, em muitos, o temor de que tais técnicas podem conduzir a fins nefastos, como a criação de réplicas humanóides.
     É desse universo contraditório que Domingos Pellegrini, um dos maiores escritores brasileiros da atualidade, retirou a matéria-prima de seu novo romance, Não Somos Humanos (Ed. Nova Alexandria). Com o subtítulo de “Romance bioético”, Pellegrini situa sua narrativa num futuro não muito distante, quando a ciência da clonagem se desenvolve a ponto de criar seres (chamados de hominis) para executar os trabalhos pesados.
     Trabalhando como escravos em fazendas de produção daquele "admirável mundo novo", e submetidos a um controle que os proíbe de exercer vontade própria, são programados para permanecer como crianças, sem questionar as atitudes dos humanos. Pouco a pouco, contudo, alguns deles, começam a despertar para o desejo de liberdade e também para o amor, através da paixão de João Antônio e Ana Rita, dois hominis que protagonizam a história. Auxiliados por humanos que não concordam com aquela opressão, fogem da fazenda e integram-se a um movimento de libertação, que organiza “quilombos” naquela sociedade futurista.
     O autor
     Paranaense de Londrina, Domingos Pellegrini é contista, poeta e romancista. Seu primeiro livro de contos, O Homem Vermelho, ganhou o Prêmio Jabuti de 1977. Seguiram-se muitos outros livros premiados, além de publicações em revistas e jornais. Pela Nova Alexandria participou das coletâneas O Decálogo e Assim é que se Conta (essa última voltada para o público infanto-juvenil), publicando também o romance No Começo de Tudo, que narra a trajetória de uma família dos primórdios da humanidade em sua luta para impor-se num mundo hostil e primitivo.

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