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Médico italiano pede
maior atenção à hepatite C

     Em carta publicada no Journal of Hepatology, o Dr. Cláudio Puoti, do Hospital Geral Marino (Roma), afirma que milhares de pacientes deixam de receber tratamento porque são considerados erroneamente “portadores saudáveis” do vírus da hepatite C, já que apresentam níveis normais de uma enzima do fígado denominada ALT.
     A presença de níveis elevados de ALT (alanina aminotransferase), enzima encontrada principalmente no fígado e liberada na corrente sangüínea como resultado de lesões neste órgão, tem sido historicamente usada como um sinal de referência para a necessidade de tratamento da hepatite crônica C. No entanto, Puoti lrvanta um novo ponto de vista sobre esta questão.
     Um estudo conduzido pelo hepatologista italiano Claudio Puoti, pesquisador do Departamento de Medicina Interna e Doenças Digestivas do Hospital Geral Marino (Roma), aponta que a “estratégia observar e esperar” no tratamento da hepatite C não é indicada para cerca de um terço dos pacientes infectados.
     “Embora os profissionais de saúde sejam capazes de tratar com sucesso a maioria dos pacientes, milhares de pessoas não estão recebendo o tratamento por que seus médicos acreditam erroneamente que se tratam de portadores saudáveis do vírus de hepatite C, refletindo crença e práticas de tratamentos antiquadas”, destaca o Dr. Puotti.
     A despeito da maioria dos pacientes com hepatite crônica C apresentarem níveis elevados de ALT, aproximadamente 30% deles não o demonstram. “Acreditava-se que estas pessoas apresentavam apenas uma doença de fígado “moderada”, e que, portanto, não necessitavam de tratamento. Além disso, estudos realizados há vários anos, utilizando terapias da época, sugerem que houve muito pouco benefício ao se tratar esses pacientes com níveis de ALT considerados “normais”, explica o médico.
     O estudo conduzido por ele, entre 1992 e 1995, avaliou quatro casais portadores de hepatite crônica C. Um parceiro em cada casal apresentava níveis elevados de uma enzima do fígado denominada ALT, a qual tem sido tradicionalmente utilizada como um sinal de lesão do fígado e, portanto, indicava a necessidade de tratamento para hepatite C. O outro parceiro de cada casal exibia o que é considerado como o nível “normal” desta enzima e não podia receber o tratamento, refletindo as práticas e restrições de tratamento em relação aos medicamentos para a hepatite C naquela época.
     A cada seis meses a saúde destes casais era avaliada. Dez anos mais tarde, a equipe do Dr. Puoti chegou às seguintes conclusões: Dentre os quatro indivíduos que apresentavam níveis elevados de ALT, todos foram tratados e três foram curados com sucesso da hepatite C. E, dentre os quatro indivíduos que exibiam o chamado nível “normal” de ALT e, portanto, não eram tratados, três evoluíram de um quadro de lesões de fígado moderadas à lesões de fígado avançadas. Um dos indivíduos necessita atualmente de um transplante de fígado.
     Estas descobertas e outros esforços de pesquisa sugerem que todos os pacientes com hepatite crônica C com lesão no fígado devem ser considerados para tratamento. A maneira mais confiável de se avaliar se há lesão hepática em um paciente com a enzima ALT normal é a biópsia. Independentemente dos níveis da enzima no fígado, a terapêutica pode resultar em benefícios importantes à saúde e até mesmo salvar vidas.
     “Esse é um passo muito importante para o tratamento de uma doença que já é considerada um grave problema de saúde pública mundial. É importante alertar os pacientes que a persistência da enzima ALT normal não é sinônimo de doença benigna. Uma avaliação médica mais cuidadosa deve incluir a biópsia e, se necessário, deve-se instituir o tratamento, que tem boas chances de cura”, alerta o Dr. Fernando Tatsch, gerente médico do Núcleo Hepatites da Roche Farmacêutica.
     Sobre a hepatite crônica C
     A hepatite crônica C afeta 170 milhões de pessoas em todo o mundo, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o que significa que pode ser considerada, pelo menos, cinco vezes mais comum que a infecção pelo vírus da AIDS.
     O Brasil possui mais de 3 milhões de infectados, ou 1,5% da população, e a maioria não sabe que é portadora da doença ou desconhece suas graves conseqüências. Esse cenário representa uma condição que pode seriamente colocar em risco a saúde de um indivíduo e, potencialmente, ter conseqüências fatais.

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