ENTREVISTA
/ SIDNEY SCHAPIRO
Lesões
no joelho são muito
comuns e podem levar à cirurgia
Sidney
Schapiro |
Os
joelhos são uma das partes do corpo que mais sofrem
com a repetição de movimentos na rotina diária
de uma pessoa comum e também com os exercícios
físicos de um atleta amador ou profissional. Quando
a dor chega, não adianta disfarçar com gelo,
joelheira, pomadas ou imobilização! A saída
nesse caso é o médico ortopedista que pode indicar
um tratamento ou até mesmo uma cirurgia.
Operar
os joelhos não é mesmo uma idéia que
agrade! Mas, não dá para fugir de uma dor ou
de um incômodo que se faz presente todas as vezes que
se movimenta de uma forma mais brusca. Atividades corriqueiras
como se abaixar para brincar com um filho, ficar sentado horas
no banco do avião ou no escritório, cruzar as
pernas, subir escadas, correr, dirigir e carregar pesos se
tornam uma tortura. Muitas vezes, o receio de ouvir a recomendação
de afastamento das atividades rotineiras pela voz de um médico
faz com que as pessoas adiem constantemente a ida a um ortopedista.
Contudo,
se a dor persiste o ideal é investigar a razão.
Às vezes pode não ser nada de especial, pode
ser uma dor conseqüente do próprio esforço,
mas se não for, vai agravando até chegar a um
ponto em que os movimentos ficam comprometidos. A princípio,
todas as lesões têm solução, nem
que seja a cirúrgica. Por isso, procurar um especialista
o mais rápido possível é o ideal. De
nada adianta recorrer a soluções caseiras como
imobilizar o joelho, colocar joelheira, compressas com gelo
ou pomada.
O
ortopedista Sidney Schapiro, conhecido como o “Rei do
Joelho”, conta que, diariamente, atende a pacientes
que chegam ao consultório desesperados por qualquer
tipo de lesão no joelho e que por se basearem em experiência
de conhecidos acreditam que nunca mais ficarão bons.
“Não podemos realmente fugir da verdade de que
nunca mais será o mesmo. Porém, com uma boa
reabilitação pós-operatória temos
conseguido a volta total às funções e
uma ótima performance esportiva” garante o especialista
em traumatologia esportiva.
Segundo
Schapiro, nem todas as lesões de joelho são
iguais. “No joelho, existem ossos (tíbia, fêmur
e patela), meniscos (interno e externo), os ligamentos (cruzados
anterior – LCA - e posterior e colaterais, interno e
externo) e a cartilagem que recobre a ponta dos ossos envolvidos
na articulação. Durante um trauma do joelho
é possível encontrar várias alterações
que podem ser únicas ou combinadas e a gravidade decorre
do elemento lesado e suas combinações. Por isso,
o tratamento é diferente de uma pessoa para outra”
diz ele.
Hoje
com o avanço da tecnologia na medicina uma operação
não pode ser mais considerada “um bicho de sete
cabeças”. Schapiro garante que com o surgimento
da artroscopia (no Brasil desde 1978) e com a modernização
dos equipamentos de suporte a cirurgia foi facilitada e houve
a diminuição da artrofibrose (cicatriz que dificulta
os movimentos). A artroscopia permite que o cirurgião
ortopedista efetue uma pequena incisão (corte) na pele
do paciente e então introduza instrumentos do tamanho
de uma caneta que contêm um sistema de lentes e de iluminação
para aumentar e iluminar as estruturas de dentro da junta.
As
lesões mais comuns, em geral, são as dos meniscos
e do ligamento cruzado anterior. “As do menisco são
mais simples para tratamento e reabilitação”,
diz o especialista. Logo no inicio da Copa do Mundo de 1994,
o jogador italiano Franco Baresi teve uma lesão aguda
do menisco, no primeiro jogo da Itália. Ele se reabilitou
a tempo da final contra o Brasil. “Esta é uma
prova de que a reabilitação que se inicia no
mesmo dia da cirurgia proporciona a volta ao trabalho quase
que imediata, e volta total ao esporte em 3 a 4 semanas”,
garante Schapiro.
Já
a recuperação da reconstrução
do ligamento cruzado anterior, que costuma ser vista como
um grande monstro por necessitar de um tempo de reabilitação
maior (entre seis a oito meses) deve ser melhor entendida.
“Normalmente os pacientes são divididos em dois
grupos: aqueles que têm que retornar rapidamente ao
trabalho e os esportistas que podem esperar um pouco mais.
Prometemos ao primeiro grupo - o atleta amador, grande maioria
da nossa população que necessita trabalhar e
não tem como ficar sem o seu sustento - retorno precoce
ao trabalho e ao volante e temos conseguido fazê-lo
em um período de três a dez dias.
Já
o segundo grupo dos esportistas terá que lutar por
sua volta plena aos esportes. Uma boa fisioterapia esportiva,
com menos aparelhos e muito exercício orientado pelo
fisioterapeuta, cuidando também do condicionamento
aeróbico o que é a grande diferença na
qualidade do resultado final”, destaca o especialista.
Como
se nota pelas declarações do especialista, há
grandes possibilidades de uma recuperação rápida
mesmo após a cirurgia. Adiar um tratamento pode agravar
os sintomas e por isso quem tem uma lesão desse tipo
no joelho, deve procurar um ortopedista com visão de
traumatologia esportiva.
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