FARMACOLOGIA
Medicamentos
biológicos
e biossimilares: o debate
começa a esquentar
MAURO
CELSO DESTÁCIO
Poucos
têm idéia do que sejam medicamentos biológicos.
A verdade, porém, é que eles existem há
muito tempo. As vacinas são um exemplo. Outro é
o interferon sintético, existente há algumas
décadas, usado no combate à hepatite C crônica.
Se,
por um lado, os fármacos de origem biológica
não constituem nenhuma novidade, os debates em torno
de sua produção e uso estão começando
a esquentar agora. Esta foi uma das principais constatações
decorrentes do I Simpósio de Medicamentos Biológicos,
realizado no dia 29 de agosto, no Hospital Sírio Libanês,
em São Paulo, com apoio do Núcleo José
Reis / Cátedra Unesco José Reis de Divulgação
Científica da ECA/USP, do laboratório Roche
e da Interfarma (Associação da Indústria
Farmacêutica de Pesquisa).
Coordenou
o evento a geneticista e professora do Instituto de Biociências
da USP, Lygia da Veiga Pereira, que, ao apresentar brevemente
o tema, destacou o fato de que os medicamentos biológicos
têm estreita ligação com os avanços
da genética, já que tais remédios, diferentemente
dos fármacos químicos, poderão agir conforme
as características de cada organismo.
Em
seguida, Gonçalo Vecina Neto, professor da Faculdade
de Saúde Pública da USP e ex-presidente da Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária),
apresentou de maneira bastante didática quais as funções
da vigilância sanitária e qual o papel desse
campo da saúde pública na questão dos
medicamentos biológicos. Neste âmbito, três
fatores são fundamentais: segurança (evitando-se
que quaisquer riscos gerem dano), eficácia (os remédios
devem ter o efeito a que se propõem) e qualidade (no
sentido de que possam ser reproduzidos).
Participaram
do debate também Dario Miranda, assessor de produtos
biológicos da Anvisa, que apresentou detalhes da história
dos biofármacos, bem como questões relativas
à sua regulamentação, e Jacques Mascaro,
membro do Conselho Diretor do European Office of Drug Information
Association e líder para assuntos regulatórios
da Roche na Europa. Mascaro frisou que, mesmo sendo até
hoje impossível a produção de medicamentos
biológicos exatamente iguais aos originais (por isso
chamados de biossimilares, e não biogenéricos),
o importante é que eles sejam tão eficazes e
seguros como os de referência.
No
evento, representou a Cátedra UNESCO José Reis
de Divulgação Científica o Prof. Dr.
Waldomiro Vergueiro, coordenador de cursos do NJR-ECA/USP.
Ao final, após ter recebido na mesma manhã a
Medalha Rocha Lima, no Instituto Biológico, chegou
o Prof. Dr. Crodowaldo Pavan, coordenador de divulgação,
acompanhado do secretário geral, Prof. Osmir Nunes.
Ambos cumprimentaram os conferencistas, que esclareceram importantes
aspectos do tema a uma platéia de mais de setenta pessoas,
mas mostraram que ainda há muito a ser discutido.
-
Mauro Celso Destácio, jornalista formado pela
ECA/USP, é editor e assessor de imprensa do Núcleo
José Reis de Divulgação Científica
e da Associação Brasileira de Divulgação
Científica, e vice-presidente da OSCIP Scientia Brasilis.
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