CANCEROLOGIA
Câncer
é a grande ameaça
mundial nas próximas décadas
ROBERTO
PORTO FONSECA
O
envelhecimento crescente da população mundial
traz uma questão que tem preocupado oncologistas de
todo o planeta: o aumento da incidência do câncer,
considerado ainda uma doença prioritariamente de idosos,
apesar da alta ocorrência também em jovens. Hoje
o câncer é a segunda maior causa de óbitos
no Brasil e nos EUA. Em 20 anos o câncer será
a doença que mais matará no mundo.
Somente
o Brasil deve registrar 472 mil novos casos de câncer
até o final deste ano, segundo dados do Instituto Nacional
do Câncer (Inca). Cerca de 80% dos casos de câncer
detectados possuem causa relacionada a fatores esporádicos,
que incluem hábitos alimentares, qualidade de vida,
uso de cigarros e bebidas alcoólicas. Os outros 20%
estão relacionados a fatores genéticos, hereditários.
Por isso a prevenção, envolvendo conscientização
sobre hábitos de vida e importância da realização
de exames periódicos, tem sido foco de campanhas e
congressos de especialistas em oncologia.
A
conscientização da população sobre
a importância da prevenção é o
grande desafio da oncologia moderna. Os cânceres que
possuem exames preventivos altamente eficientes e grande possibilidade
de melhora, se descobertos no início, são também
os que mais matam, como o de mama e o colorretal. Para se
ter uma idéia, dados do Inca mostram que 49 mil novos
casos de câncer de mama são esperados no Brasil
em 2006. O câncer de mama permanece então como
o mais freqüente entre as mulheres e a primeira causa
de morte entre as brasileiras.
Mesmo
focando na prevenção, a medicina oncológica
tem conseguido grandes avanços no campo dos tratamentos,
drogas, exames e cirurgias, que estão cada dia mais
eficazes e menos invasivos. A radioterapia intraoperatória,
utilizada inicialmente nos casos de câncer de mama,
por exemplo, é feita na hora da cirurgia, de uma só
vez, diretamente na célula afetada. Isso poupa tempo
e diminui os efeitos colaterais nos pacientes.
As
drogas-alvo também têm ganhado espaço
e atenção dos médicos com atuação
diretamente nas células cancerígenas, sem afetar
as células saudáveis. Outra novidade é
a cirurgia laparoscópica, na qual o paciente é
submetido a uma intervenção muito menos traumática
para o câncer de reto.
Os
efeitos colaterais e as reações nos paciente
são mínimas e a recuperação é
bem mais rápida. Os avanços na terapêutica
e a esperança de que um dia a batalha contra o câncer
seja plenamente vencida são reais, mas a atenção
para o diagnóstico precoce e a prevenção
continuam sendo as melhores armas disponíveis no combate
a uma doença tão agressiva.
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Roberto Porto Fonseca é médico e foi
o presidente do XVII Congresso Brasileiro de Cancerologia
realizado em novembro de 2006 em Belo Horizonte (MG).
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