OPINIÃO
Responsabilidades
na saúde pública
RICARDO
DE PAULA
Por
ocasião do Dia Mundial da Saúde (7 de abril),
é importante refletir sobre a Declaração
do Milênio, aprovada em 2000 pela ONU. Não é
sem razão que, dentre as oito metas estabelecidas,
três digam respeito à saúde: reduzir em
dois terços a mortalidade infantil; diminuir em 75%
as taxas de óbitos das mães; e combater a Aids,
malária e outras doenças endêmicas e epidêmicas.
Como
signatário do pacto, o Brasil tem imensa responsabilidade
no cumprimento dos objetivos, a serem atingidos até
2015. A pergunta é: estamos no caminho certo? É
inegável que se verificaram avanços, mas ainda
há muito o que melhorar.
A
Constituição de 1988 instituiu o Sistema Único
de Saúde (SUS), cuja meta era a cobertura universal.
Isto, pelo menos com a qualidade mínima exigida, ainda
está aquém do desejável. No início
dos anos 90 verificou-se acentuada crise no setor.
As
conseqüências foram a queda na qualidade e na cobertura.
Assim, tornou-se mais importante o desenvolvimento da saúde
privada, não apenas para prestar atendimento a parcela
expressiva da população, mas também no
sentido de reduzir a demanda do SUS.
Hoje,
os sistemas particulares atendem aproximadamente 40 milhões
de pessoas (o equivalente à população
da Argentina). O fato de a atenção à
saúde ser institucionalmente um dever do Estado, não
reduz os compromissos da medicina privada.
Afinal,
trata-se de algo tão importante para a humanidade,
como delineiam as Metas do Milênio, que seu aprimoramento
é uma obrigação compartilhada do governo
e da sociedade, inclusive quanto à prevenção,
educação e salubridade ambiental.
-
Ricardo de Paula é médico e presidente do Grupo
Intersaúde.
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