Século X a.C. - Alguns estudiosos levantam
a hipótese de que navegantes israelitas acompanharam os fenícios
em suas viagens pelo Mediterrâneo, chegando à Península
Ibérica. Vários pesquisadores estão de acordo que o termo
Lusitânia (antigo nome de Portugal) provém do fenício-hebraico
através da raiz semântica
luz (avelã ou amendoeira);
Início da Era Cristã -
A administração romana na Península Ibérica atrai
para a região diversos comerciantes judeus;
Século IV - A presença
judaica na Espanha já devia ser significativa, ao ponto do concílio
de Eliberi incluir na pauta de discussão a questão judaica;
468 - Eurico, rei visigodo, conquista
a Península Ibérica;
489 - Os ostrogodos, comandados por Teodorico,
invadem a Península Ibérica;
589 - A conversão do rei visigodo
Recaredo ao catolicismo romano proíbe os casamentos mistos e a conversão
de cristãos ao judaísmo. Os judeus são excluídos
de posições de confiança ou de autoridade no Estado;
616 - Subida de Sisebuto ao trono dos
reinos espanhóis. Desde então por quase um século a prática
aberta do judaísmo fica absolutamente proibida;
711 - Invasão bérbere muçulmana
à Península Ibérica. A vida dos judeus peninsulares se
desenvolve em circunstâncias mais favoráveis que sob os reis
cristãos;
756 - Fundação do emirato
de Córdoba;
Séculos X-XII -Idade de
Ouro do judaísmo espanhol sob domínio muçulmano. Brilham
a medicina, a filosofia e a literatura entre os judeus ibéricos (sefaradis);
1200 - Início dos estudos da
Cabala
na península. Girona torna-se o centro cabalístico mais famoso;
1223 - O papa Gregório IX estabelece
um sistema legal de investigação nos centros dos albigenses
e os coloca sob responsabilidade dos dominicanos. Início da Inquisição;
1265 - Na
Summa Teologica Tomás
de Aquino (teólogo italiano da ordem dos dominicanos) prescreve a morte
para os hereges que, depois de duas advertências não se arrependam.
Alexandre IV ratifica a bula
Ad extirpanda, promulgada por Inocêncio
IV a 15 de maio de 1252, que institui a tortura. É oficializada a primeira
Inquisição na Itália, conhecida como medieval ou papal,
com informantes, exame de prelados, confisco de bens, queima de propriedades,
processos, sessões de tormentos e cremação pública
de impenitentes. Aquino não inclui os judeus entre os heréticos,
mas referindo-se ao "deicídio judaico" recomenda que aqueles
fossem mantidos em estado de "servidão perpétua por causa
de seu crime" e que os príncipes confiscassem seus bens, deixando-lhes
apenas o necessário para viver;
1376 - O teólogo e perito em jurisprudência
Nicolau Eymerich (exilado de Catalunha e Aragão), após demonstrar
excesso de zelo como inquisidor geral é convidado pelo papa Gregório
XI para ser seu capelão em Avinhão. Aí elabora o famoso
manual resumindo suas experiências, o
Directorium inquisitorum;
1391 - Aproveitando-se da morte de João
I de Castela e do arquiduque da cidade, o arquidiácono de Sevilha,
Fernando Martinez de Ecija, predica contra os "deicidas" e, a 16
de junho, a turba popular precipita-se para o bairro judeu. Os que não
conseguem fugir e não se convertem à força são
chacinados no local. Fanáticos seguidores vão de cidade em cidade
agitando a massa aos gritos de "Martinez está chegando! Para os
judeus, a morte ou a água benta!" O massacre em cadeia atinge
as judiarias de Andaluzia, Murcia, Mancha, Ciudad Real, Leon, Logroño
e Navarra. O cronista Paulo Lopez de Ayala observa: "A avidez de saquear
os judeus cresce a cada dia". E a massa saqueia e mata judeus em Alcalá
de Guadaira, Ecija, Carmona, Santa Olalla, Cazalla, Córdoba, Andújar,
Montoro, Úbeda, Baeza, Jaen, Ciudad Real, Ocaria, Huete, Cuenca, Madri,
Toledo, Estremadura, Logroño, Valência, Barcelona, Girona, Cervera,
Lérida e Palma de Maiorca. O balanço final foi de quase 50 mil
mortos. A essa matança, que marca o fim da convivência pacífica
entre cristãos e judeus na Espanha, sucedem-se muitos batismos. Mas
os conversos logo passam a ser vistos como "hipócritas" e
são perseguidos com maior ferocidade. Na mesma época, percorrendo
a França e a Espanha, o dominicano francês Vincent Ferrer converte
dezenas de milhares de judeus com pregações seguidas de violências
e pilhagens;
1443 - Surgem na Espanha os primeiros
decretos de
Limpieza de sangre segregando judeus e conversos. Em
Ávila as casas dos judeus são saqueadas;
1449 - Ocorre o primeiro ataque aos conversos,
quando alguns ricos mercadores são culpados pelo brusco aumento de
impostos devido à guerra contra Aragão. O panfleto
Fortalicium
Fidei, do franciscano Alonso de Espina, de Segóvia, que conhece
oito reedições em 58 anos, leva o papa Nicolau VI a decretar
uma série de medidas contra os conversos. Ocorre o primeiro assalto
a uma judiaria em Portugal. Progom contra os conversos em Toledo;
1478 - A pedido dos reis católicos
Fernando de Aragão e Isabel de Castela é instalada em Sevilha
a Inquisição, levando os judeus a fugirem em massa e pagando
aos nobres o abrigo em seus castelos;
1450-1480 - Época de paz e prosperidade
dos judeus em Portugal;
1478 - Fernando e Isabel, assistidos
por eclesiásticos como Pedro Gonzalez de Mendoza e Francisco Jimenez,
culpam a tolerância da Santa Sé Romana frente aos judeus pela
"guerra civil, homicídios e males inumeráveis que afligem
os reinos espanhóis";
1480-1496 - Judeus fogem da Inquisição
espanhola, aumentando consideravelmente as comunidades israelitas em Portugal;
1483 - É criado na Espanha o Conselho
da Inquisição, presidido pelo frei Tomás de Torquemada;
1486 - Os reis católicos pressionam
o papa a autorizar a nomeação de um inquisidor geral e, a 11
de fevereiro, Inocêncio VIII assina a bula que nomeia para o cargo o
frei dominicano Tomás de Torquemada. Sua tarefa era destruir a heresia
"pela via do fogo". Torquemada foi o responsável por quase
metade dos cremados pela Inquisição espanhola em toda sua história:
cerca de dois mil queimados vivos e 15 mil garroteados até 1490. O
próprio papa ficou chocado e tratou de impor limitações
à Inquisição espanhola, mas não conseguiu dissuadir
os reis católicos a renunciar à arma que agora tinham nas mãos;
1492 - (31 de março) Decreto de
Fernando e Isabel expulsa os judeus da Espanha. Os que não emigram
são obrigados a se converterem ao cristianismo. Cerca de 180 mil judeus
fogem para outros países, desses, 120 mil entram em Portugal;
1493 - Instalados em cabanas nas fronteiras
de Portugal com Espanha, os judeus passam fome e conhecem uma medita inédita
em sua crueldade: por ordem de Dom João II cerca de duas mil crianças
de dois a dez anos de idade, filhos daqueles refugiados, são transportadas
para as ilhas de São Tomé (África) para morrerem de fome
ou serem trucidadas por animais selvagens;
1495 - Assinado o contrato de casamento
entre Manuel de Viseu (primo de Dom João II) e Isabel (princesa espanhola
viúva), filha dos reis católicos Fernando e Isabel;
1496 - (5 de dezembro) Decreto de Dom
Manuel expulsa os judeus de Portugal. Fica clara a influência da intolerância
religiosa espanhola sobre o reino português;
1497 - A expulsão de Portugal
na verdade não ocorre. Efetua-se o seqüestro das crianças
judias até 14 anos para serem distribuídas à população
cristã e reeducadas na fé católica, às expensas
da Coroa. Os judeus adultos são batizados compulsoriamente em Portugal.
Há menções históricas ao fato de que, neste ano,
cerca de um décimo de toda a população portuguesa era
constituído de judeus. Inicia-se o criptojudaísmo português;
1498 - (26 de julho) - Roma celebra um
auto-de-fé com 250 conversos de origem espanhola diante da Catedral
de São Pedro, na presença do papa Alexandre VI;
1499 - (21 de abril) Proibição
dos cristãos-novos deixarem Portugal;
1500 - (22 de abril) Pedro Álvares Cabral
descobre o Brasil. A bordo de suas naus está o cristão-novo
Gaspar da Gama, intérprete da expedição;
1506 - (15 de abril) Pogrom de Lisboa.
Cerca de três mil cristãos-novos são massacrados pela
população incitada por clérigos fanáticos;
1535 - (12 de outubro) O papa Paulo III
concede perdão geral aos criptojudeus;
1536 - (23 de maio) Bula de Paulo III
estabelece a Inquisição em Portugal. Reinado de Dom João
III;
1539 - Início da atividade do
Santo Ofício em Portugal. O cardeal Dom Henrique é o primeiro
Inquisidor-geral. João III, insatisfeito por não ter o controle
da Inquisição, afronta o papa nomeando seu próprio irmão,
Dom Henrique, no posto de inquisidor-mor;
1540 - (20 de setembro) Primeiro auto-de-fé
na Ribeira das Naus, em Lisboa, assistido pessoalmente por João III,
nobreza, alta hierarquia, clero e povo portugueses;
1542 - O reformador protestante alemão
Martinho Lutero publica o panfleto
Contra os Judeus e suas Mentiras,
tratando-os de "povo endemoninhado, peste, pestilência e pura desgraça
em nosso país". Em
Shem Hamephoras aponta-os como "filhos
do Diabo", propondo que se ateasse fogo nas sinagogas e as recobrisse
de areia e lama e se matassem os judeus que louvassem a Deus, orassem, ensinassem
ou cantassem em solo alemão. Quando surge na Península Ibérica
a "questão cristã-nova", os teólogos já
dispõem de uma longa tradição teológica e prática
de cremação para justificar seu desejo, sabendo muito bem o
que fazer com os judeus convertidos e seus descendentes. Assim, o frei Antônio
de Sotomayor não hesitou em opinar, "em boa razão discreta
e cristã" que era conveniente queimar os cristãos-novos,
já que tal havia sido o critério de homens tão destacados
como frei Juan de Portugal, Diogo Nuño e Domingo Bánez, "que
seu parecer era que os queimassem todos e tal era o sentir do povo em todas
as escalas sociais";
1547 - (11 de maio) Decreta-se o segundo
perdão geral aos cristãos-novos;
1560 - (Aproximadamente) José
Mendes Nassi adquire e reconstrói Tiberíades (antiga cidade
israelita) e incentiva os judeus dispersos a retornarem a Israel. Por sua
atitude tornou-se um dos pioneiros do sionismo;
1567 - (30 de junho) Alvará proíbe
a saída dos conversos forçados de Portugal;
1591 - Visitadores da Inquisição
chegam pela primeira vez ao Brasil (Bahia);
1593 - Judeus portugueses fundam a primeira
comunidade sefaradi em Amsterdã (Holanda);
1605 - (16 de janeiro) Perdão
geral dado aos forçados, pelo Vaticano, mediante a extorsão
de um milhão e setecentos mil cruzados;
1618 - Visitadores da Inquisição
chegam pela segunda vez ao Brasil;
1630-1654 - Os holandeses dominam o Nordeste
brasileiro. Isaac Aboab da Fonseca, o primeiro rabino do Novo Mundo, atua
em Recife entre 1642 a 1654;
1654 - Com a tomada de Recife pelos portugueses,
os judeus da cidade fretam 16 navios, fogem e fundam a primeira comunidade
israelita da América do Norte, em Nova Amsterdã, hoje Nova York;
1665 - O padre Antônio Vieira é
preso pela Inquisição por sua posição teológica
contra a instituição eclesiástica. Em 1667 Vieira é
privado pela Inquisição "para sempre de voz ativa e passiva,
e de poder pregar, e reclusão no colégio ou casa de sua religião,
que o Santo Ofício lhe assinar, donde sem ordem sua não sairá";
1765 - (27 de outubro) Último
auto público de fé realizado em Lisboa, em que saem condenados
por judaísmo;
1773 - (25 de maio) O marquês de
Pombal determina a abolição jurídica da distinção
entre cristão-velho e cristão-novo em Portugal;
1774 - Pombal transforma a tribunal da
Inquisição portuguesa, de religioso a tribunal régio;
1821 - Extinção formal
da Inquisição em Portugal;
1822 - (7 de setembro) Independência
do Brasil de Portugal;
1823 - O antiprojeto da primeira Constituição
brasileira previa a tolerância religiosa, mas o catolicismo continuava
sendo a religião oficial do Império e proibia-se a construção
de templos para as demais religiões;
1834 - (15 de julho) A rainha Isabel
II decreta o fim da Inquisição espanhola;
1899 - (15 de novembro) Proclamação
da República no Brasil;
1890 - (7 de janeiro) Separada oficialmente
a Igreja do Estado brasileiro;
1962 - O Concílio Vaticano II,
comandado pelo papa João XXIII, abre uma nova era de diálogo
e respeito da Igreja Católica Romana com os judeus;
1978 - No primeiro ano de seu pontificado
o papa João Paulo II afirma: “A Inquisição é
um capítulo doloroso do qual os católicos devem se arrepender";
1990 - Fundação da Sociedade
Hebraica para Estudo do Marranismo (Shemá) em São Paulo (SP).
1995 - Publicação
do livro
Os
Marranos e a Diáspora Sefardita.
1997 - Lançamento da revista
JUDAICA, a principal publicação
de divulgação sobre o marranismo no Brasil.
(HDC)